Entrevistas

Pardal: a voz e a coragem do rapper sergipano

04/08/2020
Conteúdo produzido por Jaime Neto

Nascido Wesley dos Santos, mas renascido Pardal, ele é múltiplo. MC, poeta, rapper, B-Boy e bailarino contemporâneo. Resumindo: um jovem artista completo, que não tem medo de encarar desafios. Com aquela marra natural de quem sabe o que fala, e principalmente, de quem sabe onde quer chegar, Pardal vem se destacando no cenário musical sergipano, desde 2018, por suas letras contundentes embrulhadas por discursos contemporâneos, e necessários. Nesta entrevista, ele se apresenta e ao mesmo tempo mostra as nuances que compõe seu coração, ideias e falas. Com vocês, Pardal! 

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(Foto: Divulgação)
ESPIE: Como nasceu esse seu contato com a arte? 
Pardal MC: Preto da periferia, abordo em minha poética temas como: preconceito racial, social e religioso. Integro o movimento Hip Hop há 12 anos, e iniciei minha carreira na dança em 2008, participei de vários campeonatos e fiz parte de grupos e companhias de dança como Style Off Dance , RSD Crew , Cia de Dança Nelson Santos, Grupo de Dança Àrà Ijô entre outras. Na música comecei em 2018 numa apresentação de estreia no Som de Quebrada, sarau que acontece na Orlinha do Porto Dantas. Tenho como base para compor minhas letras e poemas a partir das vivências e situações nda periferia.  


ESPIE: “Fui Escolhido” é sua primeira música de trabalho. É um som forte e ao mesmo tempo puro, com aquele frescor de novidade, com uma voz que soa nova aos nossos ouvidos, mas que ao mesmo tempo passa um ar de acolhimento. Como nasceu esse som? Por que ele foi escolhido para ser o primeiro? Como a construção dessa música classifica você enquanto artista? 

Pardal MC: O som "Fui Escolhido" nasceu da necessidade de por pra fora toda a minha vivência e também foi um processo de autoconhecimento. Foi a primeira música que escrevi pensando na perspectiva de MC e afirma como me sinto em fazer arte. A música em si traz minha identidade em sua essência, relata minha realidade, minha vivência e minha visão enquanto um ser social. 

Espie: Ainda sobre “Fui Escolhido” parece que temos vários temas ali, que vão de uma revolta social a uma crítica ao sistema e sua forma de vil de tratar grande parcela de brasileiro. Se identificar enquanto rapper em Sergipe é se desdobrar já dentro de um desdobro (entenda desdobro aqui enquanto dificuldade de se fazer arte)? 

Pardal MC: Sim! É muito difícil espalhar arte e viver dela. Para o sistema não é interessante que tenhamos acesso à cultura. Para o sistema não é interessante nem que eu passasse dos 23, eu já superei as estatísticas.  

ESPIE: Os temas cantados por um rapper, apesar de difíceis, encontram campo fértil no Brasil, de hoje e de sempre. Como é seu modelo de compor? Como a composição atual do Brasil vem formando o jovem Pardal? 

Pardal MC: Minhas vivências tem uma parte muito importante para que se forme esse modelo. Sigo muito os ensinamentos da velha escola, mas tenho algumas referências atuais como: Djonga, Bk e artistas próximos que fazem um trabalho maravilhoso e dialogam bastante com as minhas vivências. 


ESPIE: Existe uma marra que faz parte do ser um rapper/poeta das ruas, e talvez esse mistério tem de ser mantido a cada segundo. Existe uma linha que separa o cara que compõe do cara que dar os corres pra sobreviver do cara que precisa acalmar o coração para sentir a vida ou no seu caso, principalmente, por sua juventude, essa garra e essa vontade estão misturadas? 

Pardal MC: Sim! Não tem como separar porque não se trata de um personagem.Tudo que eu canto é o que vivo e o que observo ao meu redor, minha música é uma das partes mais sinceras de mim. 

ESPIE: Você é feliz? Quando você para e avalia sua vida? Suas conquistas.... você é feliz ou identifica pico de felicidade? 

Pardal MC: Na realidade em que vivemos, a tristeza e a felicidade andam juntas. Não existe felicidade contínua quando se sai na porta de casa e vê um corpo perfurado à bala. E também não existe tristeza contínua. Onde há morte também se há motivos para viver!  
ESPIE: “Chique é ser preto”. Adoramos ler isto em sei IG. É um recado ou uma fala de afirmação? 

Pardal MC: "CHIQUE É SER PRETO" é um recado, uma afirmação, uma música que será lançada em breve, e é uma das coisas que quero passar com o meu trabalho, fazer com que meu povo se ache lindo e se reconheça, é um dos motivos que me faz cantar.  
ESPIE: Quando foi a última vez que você chorou e qual foi o motivo? 

Pardal MC: Eu choro quando sinto e várias vezes esse ano eu sentir. Não consigo recordar a última vez porque foram várias. 

Por dentro da cabeça de Pardal:

Último livro lido: Rainha Ginga, de Mariana Bracks. 

Uma cor: azul.  

A última vez que xingou alguém: os racistas, toda vez que canto e componho. 

O amor é: várias formas.  

Quando estou triste faço: arte.  

Quando estou louca de felicidade: arte.  

Um arrependimento: cada momento vivido é essencial, por isso não há arrependimentos. 

Um alívio: cantar  

Meu pecado favorito: não acredito em pecado. 
 

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(Fotos: Divulgação)
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