Entrevistas

Maria Glória: Poetisa conta como sobrevive ao atual Brasil caótico

19/08/2020
Conteúdo produzido por Jaime Neto

Pedagoga de formação, Maria Glória é na essência atriz e agitadora cultural. Natural da cidade de São Cristóvão (Sergipe) fez suas raízes por todo o estado, uma vez que resolveu se dedicar a árdua tarefa de trabalhar com arte, tanto é que criou a Casa do Folclore, espaço bastante visitado dentro da quarta cidade mais antiga do Brasil. Neste processo todo de se entender e entender o mundo, ela se tornou poetisa - uma das melhores de Sergipe, com dois livros lançados: “Fragmentos” e “Como Roupa no Varal”, publicados nas décadas de 80 e de 90. Nos últimos meses, Glória vem se dedicando ao terceiro livro, porém, não quis contar nada sobre ele para a nossa entrevista. Na verdade Glória preferiu filmar um poema, recém-nascido, que fará parte da obra que virá, e nos presenteou assim. Para conferir o poema acesse o Instagram @portalespie. Confira abaixo a entrevista rápida de Glória ao ESPIE.

post

Espie: Como está sua produção? O Brasil de hoje, a vida de hoje, estimula a escrever ou a se isolar?
Maria Glória:
Escrevo para não surtar. A palavra surge como um conforto, um desabafo. A produção literária surge muitas vezes ao acordar, de sobressalto. As palavras me rodeiam, martelam minha cabeça. Escrevo como se fosse psicografando. 

Espie: Como a poetisa sobrevive em meio ao caos social que estamos inseridos?
Maria Glória:
No Brasil, os tempos duros de hoje acabam sendo muito inspiradores também, apesar da dor. Vivemos num estado constante de letargia, mas eu tiro disso tudo uma força interna para escrever.

Espie: Como vem se cuidando para não maltratar mais seus pensamentos e a produzir de poesia?
Maria Glória:
Sobrevivo, eis a palavra! O caos também acaba por revela uma organização de ideias e sonhos.

Espie: Ser uma poetisa hoje é enfrentar quais demônios?
Maria Glória:
Os demônios estão por toda parte. Sinceramente rezo, me ajoelho e imploro ao Divino Pai Eterno pra que tudo isto passe.

Espie: Se você pudesse voltar no tempo seria poeta e agente cultural ou são profissões mortas?
Maria Glória:
Acredito que dei minha contribuição à cultura sergipana, e até hoje continuo trabalhando em prol da arte e da cultura local. Faria tudo novamente, mas, mudaria apenas a minha postura. Seria um artista mais séria, introspectiva.


Por dentro da cabeça de Maria Glória:

Último livro lido: O Profeta de Khalil Gibran.

Uma cor: Verde.

A última vez que xingou alguém: Nem lembro.

O amor é: Tudo. O que nos movimento e guia. É o que está em nós para sermos quem somos.

Quando estou triste faço: Escrevo.

Quando estou louca de felicidade: Eufórica, canto e danço. 

Um arrependimento: Não ter vivido algumas coisas mais intensamente, e não ter partido conhecendo o mundo.

Um alívio: É ter o divino em mim.

Meu pecado favorito: Não sou de pecar (risos). 

post
(Foto: Jaime Neto)
Warning (4096): Object of class AdminLTE\View\AdminLTEView could not be converted to string [APP/Template/Interviews/interviews_single.ctp, line 123]