LifeStyle

Brian Gentil destrincha “Adie uau Langage”

28/07/2020
Conteúdo produzido por Brian Gentil

Direção e roteiro: Jean-Luc Godard. 
Ano: 2015. 
Gênero: drama. 
Elenco: Jeremy Zampatti, Jessica Erickson, Héloïse Godet, Zoé Bruneau, Kamel Abdeli, Richard Chevallier, Alexandre Païta, Christian Gregori, Marie Ruchat, Kamel Abdeli, Zoé Bruneau, Christian Gregori. 
Crítica sem Spoiler. 



“Adeus à linguagem" é um filme sobre o tudo e o nada. 


Eis que surge, em 3D, uma espécie de continuação da desfragmentação da imagem (em um sentido amplo) já trabalhada pelo diretor francês em filmes como “Filme Socialismo” e “O desprezo”, mas dessa vez a “arte” praticada na película levará o telespectador a um estado de transe entre os seus sentidos em busca de um sentido, algo compreensível. 


A questão está na cisão entre o inteligível com base em nossas experiências e o que é mostrado: sobreposições de um 3D confuso (em tese) e intermitente a transcender o que seria aceitável em um debate acerca da linguagem do cinema contemporâneo. 


O filme nasce obra-prima. O costume que criamos de consumirmos produções, por vezes espalhafatosas, que buscam uma perfeição de imagem, som, renderização, é totalmente (des)construído e posto à prova quando nos é apresentada um filme, um roteiro, um contexto, praticamente desprovido de qualquer linguagem (ao menos uma linguagem inteligível). 


“Adeus à Linguagem” detém uma abordagem que almeja quase extinguir o seu objeto de manifestação, a linguagem, latu sensu. É como o abolicionismo penal, que detém como fim a extinção do seu próprio objeto de estudos, o direito penal. 


Os diálogos não apresentam uma ordem cronológica, o casal do filme não fala o mesmo idioma, os diálogos do filme parecem ser traduzidos, seja pela presença de um cão (aqui teríamos diálogos para umas 10 postagens), seja pela presença da natureza, morta ou viva, que circundam o filme em meio a planos coloridíssimos e praticamente distópicos. Tentamos, no decorrer do filme, “ler” as metáforas que nos são apresentadas, e a compreensão fica mais para uma vertigem de “Um Corpo que Cai”. 


Os contrapontos visuais marcam toda a produção, mas o apreço pela imagem talvez seja o ponto de partida dessa obra, como já narra Godard nessa produção cinematográfica: “As imagens são o assassinato do presente”.   *Brian Gentil é graduando em Direito, poeta e fotógrafo.
 

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(Fotos: Divulgação)
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